Resumo de Pesquisa Clínica Independente

DIRETOR MÉDICO:
Mikhail Lazarev, Médico-chefe

AGÊNCIA AVALIADORA:
Centro de Reabilitação Infantil 1992-1995
Instituto para Educadores Profissionais 1996-1997

PERÍODO DE EXPERIMENTAÇÃO:
1992-2001.

MÉTODOS DE ESTIMULAÇÃO:
Grupo A – enriquecimento com BabyPlus.
Grupo B – enriquecimento com música.
Grupo C – controle, sem enriquecimento.

POPULAÇÃO TESTADA:
Grupo A – 11 pessoas.
Grupo B – 11 pessoas.
Grupo C – 9 pessoas.

SOCIOECONOMIA:
Renda média ou baixa renda, sem histórico familiar de superdotação.

PERÍODO DE ESTIMULAÇÃO:
1 hora pela manhã.
1 hora pela noite.

DURAÇÃO DA ESTIMULAÇÃO:
16 semanas.

RESULTADOS:

O grupo enriquecido com BabyPlus foi consistentemente superior aos outros dois grupos.

Os bebês BabyPlus atingiram suas metas de desenvolvimento mais cedo do que as outras crianças.  

Avaliação Controlada da Estimulação Sonora para o Feto Comparando Música e Progressões Cardíacas, 1992-2001
Dr. Mikhail Lazarev, Ph.D., Diretor, Laboratório de Saúde Infantil, Centro Médico de Reabilitação, Ministério da Saúde Russo, Professor, Academia Internacional de Ciências e Artes, Moscou.

Resumo
Para avaliar os resultados do desenvolvimento de estimulação sonora sobre o feto, o autor supervisionou um estudo controlado com canções de ninar e música clássica em contraste com ritmos cardíacos acelerados. Uma análise de recém-nascidos, bebês e do desempenho acadêmico das crianças mostra que ambos os métodos produzem ganhos significativos para linguagem receptiva e expressiva, sugerindo o amadurecimento cognitivo acelerado que continua durante os anos do ensino fundamental.

Cenário
Durante 20 anos, o autor investigou o impacto psicofísico da música, especialmente cantada, no desenvolvimento da criança, aplicando a sua abordagem em instalações pré-natais, creches e escolas públicas em toda a Rússia e Estados Unidos. Durante aproximadamente o mesmo período, outros métodos sonoros apareceram, e para avaliar os efeitos fetais desse programa comparados aos sistemas alternativos destinados a proporcionar benefícios semelhantes, um estudo controlado foi realizado em 1992. Esse estudo foi a primeira medição clínica já realizada; seus resultados foram apresentados em um documentário britânico pela rede BBC de televisão em 1994, chamado “Brave New Babies”, que foi ao ar em diversos países.

Descrição
O autor do Programa Sonatal¹ baseou-se nos conceitos do sistema genesis de P.K. Anokhin², que incluem o som como um meio de vibração, fisiológico e psicológico para melhorar o desenvolvimento. Mulheres grávidas envolveram canto, respiração e movimentos físicos destinados para facilitarem a resposta fetal; as músicas foram compostas pelo autor. Adicionalmente, uma observação feita por médicos, bastante positiva e consistente em recém-nascidos, bebês e crianças, concluiu que o método Sonatal reduziu a taxa de mortalidade infantil em 8 por mil nascimentos nos locais onde foi praticada.

A tecnologia aplicada para comparação foi desenvolvida pelo Dr. Brent Logan, diretor do Instituto Pré-natal de Seattle, nos Estados Unidos. BabyPlus, seu Sistema de Educação Pré-natal³ ⁴ ⁵ ⁶ ⁷, utiliza adaptações sonoras digitalizadas da pulsação sanguínea de dentro do útero materno, acelerando a velocidade e a tonalidade formando 16 sequências, num currículo sonoro para o feto que tem efeito baseado em três princípios: impressão⁸ ⁹, condução auditiva¹⁰, e a morte normal de células cerebrais ao final da gravidez.¹¹A teoria¹² propõe que por causa da “imprinting window”, que se conclui logo após o término de uma gestação padrão, e pelo fato do batimento cardíaco materno em repouso ser o único padrão detectável e registrável, progressões nessa base (batimento cardíaco) levarão de forma sonora o aumento do nível das ondas cerebrais do feto, aumentando as memórias e funções sinápticas, onde a apoptose neural é mitigada, resultando em uma estrutura cognitiva mais madura no nascimento. Este conceito foi congruente com os dados do estudo piloto¹³ de 1987, empregando 36 sequências, avançando de 1 a 3 ciclos por segundo, apesar deste estudo não poder ser comparado e nem ter sido administrado de forma independente.

Ambas as abordagens presumem uma resposta fetal – seja devido ao desenvolvimento auditivo ou sensibilidade vibratória – as quais se iniciam ao se observar os movimentos dos membros, mudanças nas taxas de respiração do útero onde o líquido amniótico é ingerido e as taxas de ondas cerebrais.

Método
Três instalações patrocinaram o projeto, começando em 1992 com o Centro de Reabilitação Infantil, em Moscou, onde o autor atuou como diretor até 1995, continuando por três anos no Instituto de Pós-Graduação de Moscou Para Professores, onde o autor era Chefe de Laboratório de Ciências da Saúde, e após isso foi para o Centro de Medicina de Reabilitação, no Ministério da Saúde Russo, onde o autor foi Chefe do Laboratório de Saúde das Crianças.

Das 31 mães, algumas estavam grávidas pela primeira vez e outras já haviam tido filhos anteriormente; todas vieram de contextos socioeconômicos médio e baixo; sem registro familiar de superdotação, mulheres que tinham histórico de tabagismo, álcool ou uso de drogas foram excluídas. A idade materna variou de 20 a 34 anos, com a média de 25. Embora a inclusão no estudo tenha sido voluntária, sem incentivos para participação, as mulheres não foram informadas sobre possíveis vantagens de estimulação, apenas que a estimulação sonora não seria prejudicial para a mãe ou feto.

Os indivíduos foram divididos em três grupos:
A) BabyPlus, com 11 voluntárias;
B) Sonatal, com 11 voluntárias;
C) Controle, com 9 voluntárias.

A estimulação foi feita duas vezes ao dia, uma hora pela manhã e uma hora no fim da tarde, iniciando no meio da gestação e continuando por 16 semanas. Enquanto o protocolo Sonatal especificava 90% de canto materno em conjunto com música clássica, o Sistema de Educação Pré-Natal BabyPlus (16 áudio aulas com progressões sonoras semelhantes aos batimentos cardíacos maternos de 1-4.75 ciclos por segundo) utilizava tocadores de fita cassete idênticos, alto-falantes e cinto de tecido usados no meio do abdômen; por fim, o mesmo fez o Grupo Controle, que foi exposto apenas à música clássica, que se aproxima da forma de estímulos sonoros que fetos receberiam em um ambiente normal de uma mãe contemporânea.

Seguindo observações neonatais, o instrumento primário para monitorar conquistas cognitivas através da receptiva e expressiva habilidade linguística durante o primeiro ano, foi a Escala de Realizações Linguísticas e Auditivas Clínicas (CLAMS – Clinical Linguistic and Auditory Milestone Scale), desenvolvida em 1986 na Universidade John’s Hopkins, supervisionada por Arnold Capute¹⁴.

Resultados
As características neonatais que BabyPlus promete foram detectadas em 37% a mais dos bebês que no grupo controle, com aumento da maturidade neural de áreas linguísticas-chave refletindo em uma maturidade de processamento neural numa média de 35% de maior prevalência; nascituros Sonatal tiveram uma média de 11% a mais de características vistas do que os bebês do grupo controle, com um ganho infantil médio de 16% em relação à mesma linha de base.







Notas do ensino fundamental de 7 indivíduos dos 3 grupos foram obtidas em setembro de 2001, uma vez que a mobilidade das famílias na Rússia impediu a localização de todos os 31 indivíduos. As médias para os primeiros 3 anos de educação pública medida numa escala de 1 a 5, contra a média de 4.1 no sistema de Moscou.
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Conclusão

Após o início do estudo acima, o sucesso de ambas as abordagens tem sido consideráveis: o Sistema de Educação Pré-natal BabyPlus substituiu a sua versão de fita cassete por uma tecnologia com um microchip contendo uma aceleração de tempo para 6,5 ciclos por segundo, resultando em mais de 100 mil crianças nascidas estimuladas desde 1987; já o Sonatal, desde sua inserção em 1983, possui 6 mil jovens que experimentaram o programa ainda intra-útero. Embora este projeto russo tenha sido limitado em escopo e substância devido a restrições orçamentárias durante um momento de profunda agitação política (fim da Guerra Fria), os resultados atingiram uma significância estatística em áreas importantes, reforçando trabalhos pilotos tanto do autor quanto de Brent Logan.

Novos indivíduos devem ser pesquisados num futuro breve e o número de instrumentos de avaliação deverá aumentar, tanto por conta dos testes de seleção aleatória quanto por pesquisadores independentes envolvidos nas modalidades testadas. Inclusive várias avaliações que têm esse critério já começaram ou estão planejadas. Adicionalmente, novos modelos teóricos e descobertas científicas aplicadas relevantes estão apoiando o fenômeno de enriquecimento no desenvolvimento dos componentes correspondentes, que se refere a cognição humana, social e necessidades comportamentais em tempos cada vez mais desafiadores.

 


Fontes:
1. Lazarev, M., Sonatal: A Program of Musical Prenatal Stimulation, Roseville Services, Bloomsbury, New Jersey, 1991 (em tradução livre: “Sonatal: Um Programa Musical de Estimulação Pré-natal”). Leia mais aqui.

 

2. Anokhin, P. K., Biology and Neurophysiology of the Conditioned Reflex and Its Role in Adaptive Behavior, Oxford, New York, Pergamon Press, 1974 (em tradução livre: “Biologia e Neurofisiologia de Reflexos Condicionados e Seu Papel no Comportamento Adaptativo”). Leia mais aqui.

 

3. Logan, B., Learning Before Birth: Every Child Deserves Giftedness, Bloomington, Indiana, lstBooks Library, 2001 (em tradução livre: “Aprendizado Antes do Nascimento: Toda Criança Merece Superdotação”). Leia mais aqui.

 

4. Logan, B., Fetal sonic stimulation, The Royal College of General Practitioners Official Reference Book, London, Sterling Publications, 1995 (em tradução livre: ” Estimulação Sonora Fetal”, no Livro Oficial de Referência da Universidade Real de Clínicos Gerais, em Londres). Leia mais aqui.

 

5. Logan, B., Biological measurements of prenatal stimulation, Prenatal Perception, Learning and Bonding, Blum, T., ed., Berlin, Leonardo Publishers, 1993 (em tradução livre: “Medições Biológicas da Estimulação Pré-natal”, em Percepção Pré-natal, Aprendizado e Ligação Entre Mãe e Bebê“).

 

6. Logan, B., Prelearning: trials and trends, International Journal of Prenatal and Perinatal Studies, vol. 4, 1992 (em tradução livre: “Pré-aprendizado: Ensaios e Tendências, no Jornal Internacional de Pré-natal e Estudos em Recém-nascidos“).

 

7. Logan, B., Project Prelearn; the efficacy of in utero teaching, International Journal of Prenatal and Perinatal Studies, vol. 1, 1989 (em tradução livre: “Projeto Pré-aprendizado; A Eficácia do Ensino no Útero”, no Jornal Internacional de Pré-natal e Estudos em Recém-nascidos”)

 

8. Salk, L., Mother’s heartbeat as an imprinting stimulus, Transactions of the New York Academy of Sciences, vol. 24, 1962 (em tradução livre: “Batimentos Cardíacos Maternos Como Estímulo”, em Relatório da Academia de Ciências de Nova York). Leia mais aqui.

 

9. Salk, L., Thoughts on the concept of imprinting and its place in early human development, Canadian Psychiatric Association Journal, vol. 11, 1966 (em tradução livre: “Reflexões Sobre o Conceito de Imprinting  e Seu Lugar no Desenvolvimento Humano Precoce”, no Jornal da Associação de Psiquiatras Canadenses). Leia mais aqui.

 

10. Neher, A., Auditory driving observed with scalp electrodes in normal subjects, Electroencephalography and Clinical Neurophysiology, vol. 13, 1961 (em tradução livre: “Condução Auditiva Observada Com Eletrodos no Couro Cabeludo em Indivíduos Normais”, em Eletroencefalografia e Neurofisiologia Clínica). Leia mais aqui.

 

11. Cunningham, T. J., Naturally occurring neuron death and its regulation by developing neural pathways, International Review of Cytology, vol. 74, 1982 (em tradução livre: “Ocorrência Natural da Morte de Neurônios e Sua Regulamentação Através do Desenvolvimento de Vias Neurais”, na Revista Internacional de Citologia“)

 

12. Logan, B., Teaching the unborn: precept and practice, Pre and Perinatal Psychology Journal, vol. 2, 1987 (em tradução livre: “Ensinando o Feto: Preceito e Prática”, no Jornal de Psicologia Pré-natal e de Recém-nascidos). Leia mais aqui.

 

13. Logan, B., Infant outcomes of a prenatal stimulation pilot study, Pre and Perinatal Psychology Journal, vol. 6, 1991 (em tradução livre: “Resultados em Bebês de Estudo Piloto Sobre Estimulação Pré-natal”, no Jornal de Psicologia Pré-natal e de Recém-nascidos). Leia mais aqui.

 

14. Capute, A. J., Palmer, F. B., Shapiro, B. K., Wachtel, R. C., Schmidt, S., and Ross, A., Clinical linguistic and auditory milestone scale: prediction of cognition in infancy, Developmental Medicine & Child Neurolology, vol. 28, 1986 (em tradução livre: “Estudo Clínico Linguístico e Escala de Desenvolvimento Auditivo: Previsão Cognitiva na Infância”, em Medicina de Desenvolvimento & Neurologia Infantil ). Leia mais aqui.